Subscrever a Newsletter


Concordas com a formação da ANEME?


Sim - 95% (20 votos)
Não - 0% (0 votos)
Não sabe/Não responde - 5% (1 votos)
Total de Votos : 21
Outras

Pedro Nunes insurge-se contra formação médica na Universidade de Aveiro «A criação de novos cursos de Medicina é uma fraude»


FonteTempoMedicina.com

 

As posições são claras e unânimes. Pedro Nunes diz que os novos cursos de Medicina são o caminho mais rápido para o desemprego médico. Inês Rosendo afirma que «não faz sentido» a criação do curso de Aveiro e Francisco Pavão também «não vê com bons olhos» a iniciativa.
A novidade foi avançada pelo Jornal de Notícias, no passado dia 3. O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior estaria a preparar, para o 36.º aniversário da Universidade de Aveiro, que se assinala amanhã, dia 15, o anúncio de que a instituição deverá arrancar no ano lectivo de 2011/2012 com o nono curso de Medicina em Portugal.
A notícia não podia ter sido pior acolhida. O bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Pedro Nunes, falou com o «Tempo Medicina» e numa «posição pessoal e enquanto bastonário», embora não tendo dúvidas de «que será a posição da Ordem dos Médicos», foi bastante contundente no comentário: «A criação de novos cursos de Medicina é uma fraude, a palavra não pode ser outra.»
Para o presidente da OM, a criação do curso de Medicina da Universidade do Algarve já «foi um erro dramático que põe em causa o futuro» dos alunos que são induzidos a tirar esse curso, quando há no horizonte uma «potencialidade de desemprego que será trágica».
Afinal, assegura Pedro Nunes, as necessidades do País ficariam asseguradas, segundo os parâmetros internacionais, com cinco faculdades de Medicina. Todavia, a ser criado o curso de Aveiro, o País contabilizará nove cursos: os sete que já existiam no continente, mais os novos do Algarve e de Aveiro, fora os dos Açores e da Madeira.
«Portugal não se pode dar ao luxo de andar a formar médicos para depois os desempregar», reforça Pedro Nunes, lembrando que, com tantos licenciados a sair dos nove cursos, o País não tem «a garantia de que depois os vai empregar».
As razões que levaram à criação dos novos cursos estão, para Pedro Nunes, bem longe da necessidade de suprir a carência de médicos. «É uma poluição de cursos que, claramente, só servem as necessidades de emprego de pessoas com carreiras universitárias que não têm licenciaturas em Medicina», afirmou, lembrando que a maior parte das cadeiras básicas dos cursos de Medicina já são ensinadas por biólogos, químicos, físicos, «pessoas que não teriam emprego fora da universidade».
«Infelizmente, a Ordem dos Médicos não tem poder para parar um disparate de tal tamanho», acabou por desabafar o bastonário. Ainda assim, quando questionado sobre a possibilidade de a Ordem dos Médicos vir a tomar uma posição oficial sobre esta matéria, através do seu Conselho Nacional Executivo (CNE), Pedro Nunes foi, novamente, bastante contundente: «Seguramente, se o CNE tiver noção das suas responsabilidades, e em vez de andar a perder tempo com assuntos menores e guerrilhas eleitorais que nada têm a ver com o interesse dos médicos, emitirá uma posição sobre esta matéria.» Não obstante, Pedro Nunes rematou que «a Ordem não está parada e, na ausência de posição do CNE, toma posição o bastonário, que vincula suficientemente a Ordem».
De recordar que a primeira tomada de posição sobre a notícia do JN partiu da Secção Regional do Centro da OM, que emitiu um comunicado também contra a criação do curso em Aveiro, que o «TM» noticiou na passada edição e reproduziu integralmente na versão online.

Contra o bom senso

Da parte dos mais novos as posições não são diferentes da do bastonário da Ordem dos Médicos. Inês Rosendo, presidente do Conselho Nacional do Médico Interno, apesar de ressalvar que a OM ainda não tomou uma posição oficial e que essa será secundada pelo CNMI, declarou ao «TM» que «existem já demasiadas vagas em Medicina, tendo em conta as previsões feitas da demografia médica, e por isso vai contra todo o bom senso haver ainda mais vagas». Além disso, a interna lembrou que é ainda importante «garantir que a formação médica pós-graduada seja feita nas melhores condições, importa ter bons médicos, não apenas muitos, e com cada vez mais recém-licenciados é cada vez mais difícil assegurar uma formação de qualidade nos internatos».
Em resumo, Inês Rosendo diz que o CNMI concorda «com os argumentos que foram e vão ser apresentados pela Ordem em como não faz sentido a abertura de mais um curso de Medicina em Portugal».
Francisco Pavão, presidente da Associação Nacional de Estudantes de Medicina no Estrangeiro (ANEME), enviou ao nosso Jornal a posição desta estrutura, onde frisa que «a ANEME não vê com bons olhos a hipotética criação de mais uma Faculdade de Medicina, desta vez na cidade de Aveiro». E os argumentos repetem-se: já há oito cursos no continente, mais dois nas regiões autónomas, e a tutela continua a esquecer os cerca de 1500 estudantes de Medicina no exterior que podem ajudar a colmatar a carência de médicos no futuro.

Rita Vassal





ANEME | Desenhado por: